quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

QUE FOI O MCP?

"'Educar para a liberdade'. Com este objetivo foi fundado em Recife, durante a presidência de João Goulart e a gestão municipal de Miguel Arraes, o Movimento de Cultura Popular (MCP), uma sociedade civil, mantida pela Prefeitura de Recife e pelo Governo de Pernambuco. Além de um apoio oficial maciço, o MCP contou com o aval de grande parte dos intelectuais pernambucanos; entre seus fundadores figuram: Germano Coelho, Ariano Suassuna, Hermilo Borba Filho, Abelardo da Hora, Aloízio Falcão, Paulo Freire,Francisco Brennand e Luís Mendonça.

O MCP desenvolveu suas atividades a partir de um programa pedagógico cujo objetivo era "proporcionar a elevação do nível cultural do povo". Deste primeiro núcleo de atividades, ligado à Secretaria de Educação do Município e respaldado por um orçamento bastante amplo, o movimento desenvolveu atividades no campo da arte popular através do Departamento de Formação de Cultura; construiu seis praças de cultura, centros culturais e de ensino técnico, o grupo de Teatro de Cultura Popular, inspirou a criação de núcleos com objetivos semelhantes até o sul do país, etc. Devido a seu escasso tempo de existência, os resultados práticos da atuação do MCP não podem ser corretamente avaliados.

Em fins de 1963, foram feitos estudos para encaminhar a ampliação do movimento para além do âmbito municipal, mas o MCP foi dissolvido imediatamente depois do golpe de 1964, sob pesada repressão.

As atividades do MCP, aliadas à atmosfera política da época, inspiraram o CPC no sul do país, mas os programas que animaram um e outro provinham de diferentes concepções sobre cultura popular e politização das classes trabalhadoras. O MCP definia-se como órgão técnico, rigorosamente apolítico. Sua concepção de educação, no entanto, incluía, consoante com a aplicação do método Paulo Freire, a "capacidade aquisitiva de ideias sociais e políticas".

Segundo seus estatutos, a educação deveria ser programada para "ampliar a politização das massas, despertando-as para a luta social". Surgia, na época, a noção distintiva entre "politização" e "conscientização", introduzida pelas implicações sociais do método Paulo Freire; este afirmava que a finalidade da alfabetização era dar ao povo consciência social, e que esta, por sua vez, abriria o leque das opções políticas. Grande importância também era atribuída à profissionalização, que permitiria uma inserção mais consciente dos setores mais carentes na realidade brasileira. Outra das importantes realizações do MCP foi o Teatro de Cultura Popular." Texto pesquisado pela aluna Tamires Guerra.

Biografia de Germano Coelho



 GERMANO COELHO

Germano Coelho, educador e político

  
• Idealizador das Semanas Nacionais de Estudos Jurídicos e Promotor da I Semana Nacional de Estudos Jurídicos, na Faculdade de Direito do Recife(1950).
• Bacharel em Direito Laureado pela Faculdade de Direito do Recife (Turma de 1951).
• Curso de Doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Paris (1952 - 1953).
• Estágio em Pedagogia em escolas dos sistemas Montessori, Freinet, Decroly, Cousinet, e no movimento "Peuple et Culture" (França, 1954).
• Fundador e primeiro presidente do Movimento de Cultura Popular (1960).
• Secretário de Educação e Cultura do Estado de Pernambuco (1963).
• Indicado por Portaria do Ministro da Educação para apresentar, em nome do MEC, ao Ministério da Reforma Administrativa, anteprojeto de reforma de base do Ministério da Educação e Cultura (D.O.U., 9/8/1963, p. 7005).
• Fundador e primeiro presidente do Conselho Estadual de Educação de Pernambuco (1963).
• Fundador e primeiro Superintendente do Centro de Integração Empresa Escola de Pernambuco - CIEE/PE (1968-    ).
• Professor Titular da Faculdade de Direito do Recife, da Universidade Federal de Pernambuco (1970).
• Membro do Conselho Nacional do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN (1986).
• Prefeito de Olinda eleito em dois mandatos (1977 a 1983 e 1993 a 1996).
• Fundador e Instituidor do Sistema de Preservação dos Sítios Históricos de Olinda: Conselho de Preservação (Municipal, Estadual e Federal); Fundação de Preservação (Órgão Executivo Municipal);  Fundo de Preservação(Recursos financeiros para as obras de restauração - percentual do FPM); Tombamento Municipal.
• Sócio do Instituto Histórico de Olinda.
• Membro da Academia de Artes e Letras de Pernambuco - AALP.
• Produção literária:
- Direito e Humanismo - Pronunciamento no Salão Nobre da Faculdade de Direito do Recife, em nome do Corpo Discente na Sessão Solene de 11 de agosto de 1950 - Publicado no Diário de Pernambuco.
- Denúncia da Aliança para o Progresso pelo Governo de Pernambuco, São Paulo, Brasiliana,1963.
- Programa de Educação do Governo de Pernambuco - Frente de Educação Popular. Recife, SEC, 1963, 63 p.
- Projetos Integrados Derby - Tacaruna; Plano de Desenvolvimento de Recursos Humanos do Nordeste, Recife: Documentos do CIEE/PE, 1969 - 76 p.
- Visita Programada. Recife, Método de Iniciação ao Estágio Profissional. Recife: Documentos do CIEE/PE Nº 14, 1972.
- Programa de Metas para a Prefeitura de Olinda. Recife, MARGRAF. 1976. 40 p.
- Mensagem à Câmara Municipal de Olinda.. Recife, MARGRAF. 1977. 20 p.
- Projeto Olinda Empresa. Recife, MARGRAF. 1979. 32  p.
- Realizações da Prefeitura de Olinda, Recife, 1979. 27 p.
- Facho: Patrimônio Cultural de Olinda - Olinda Patrimônio Cultural da Humanidade. Recife, Escola Dom Bosco de Artes e Ofícios. 165 p. 1983
- A Administração de Olinda em 1996; Defesa Apresentada ao Tribunal de Contas de Pernambuco. Olinda: 1999. 189 p./XV Anexos.
- Memorial do Movimento de Cultura Popular. Fundação de Cultura da Cidade do Recife. 1986 (Coleção Recife volume XLIX)
- Olinda Patrimônio Mundial. Olinda Editora Raiz, 1996. 319 p.
- Olinda Precursora da Restauração do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Olinda Editora Raiz 1996. 214 p.
- A Obra de Reconstrução da Vila.  In Revista Academia de Artes e Letras de Pernambuco, Dezembro /2001 - Ano XXV - nº 2.
- Paulo Freire e o Movimento de Cultura Popular.In Paulo Rosas (organizador). Paulo Freire; Educação e transformação social. Recife, Editora Universitária da UFPE, 2002.
- Pequena História da Criação do Conselho Estadual de Educação de Pernambuco. Recife, CEE-PE, Educação, Legislação e Cidadania - Edição Especial V. 2, 2003, p. 17 a 38.
- A Poesia de Audálio Alves e o Hino do MCP e do CIEE, In Revista Academia de Artes e Letras de Pernambuco, Novembro /2003 - Ano XXVII - nº 3
- Paulo  Rosas  no  Movimento  de  Cultura  Popular: primeiros Parques e  Praças de Cultura do Recife. In "Papéis avulsos sobre Paulo Rosas". Recife, Editora Universitária da UFPE, 2004 (Coleção "Educação e Cidade"  da Prefeitura do Recife).
- Parques e Praças de Cultura: um projeto novo para o Recife. Recife, CIEE/PE, 2004.
- Em defesa do Estágio de estudantes. In arRecifes - Revista do Conselho  Municipal de Política Cultural da Prefeitura do Recife, , 2006.
- Primeiro Centenário de Luiz Delgado. Homenagem do Instituto Histórico de Olinda e da Academia Olindense de Letras, 2006.
Texto retirado do site: www.onordeste.com - 16/12/2010 - às 16h38min

    

    

O MCP foi responsável pela alfabetização de jovens e adultos pobres, e ajudou a revelar talentos na música, na pintura e no teatro

Reprodução/TV Globo
Foto: Reprodução/TV Globo
"Um dos movimentos culturais mais importantes do País na década de 1960 teve o Recife como sede e está completando 50 anos. O MCP, como ficou conhecido o Movimento de Cultura Popular, foi o responsável pela alfabetização de jovens e adultos pobres, e ajudou a revelar talentos na música, na pintura e no teatro.

De olho nesta data, dois personagens importantes que participaram da criação do MCP vão fazer de tudo para não deixá-lo cair no esquecimento: o artista plástico Abelardo da Hora
(foto) e o ex-prefeito de Olinda, Germano Coelho (foto).


O MCP foi criado há cinquenta anos, durante a gestão de Miguel Arraes na prefeitura do Recife. Além de fundador, Germano Coelho foi o primeiro presidente. “O movimento devia ser global, envolver crianças, adolescentes e adultos. Envolver todas as artes. Jean-Paul Sarte e Simone Beavouir, nos tempos modernos, passaram dois dias na minha casa só para discutir o MCP. A repercussão foi grande”, falou Germano.

Nas artes plásticas, o escultor Abelardo da Hora foi coordenador do movimento. Viu brotar, naquela época, o talento de muitas pessoas que, tempos depois, se tornaram artistas consagrados. “Todos os artistas da nata do Recife, Zé Claudio, Samico, Wellington Virgulino, foram formados pelo MCP”, contou.

A sede do MCP ficava no Sítio da Trindade. O movimento ampliou o acesso à cultura e à educação. Em apenas dois anos, 20 mil crianças pobres do Recife foram alfabetizadas. No teatro local, jovens e adolescentes tiveram a primeira chance de atuar de verdade. O ator José Wilker, por exemplo, foi um deles.

Germano Coelho e Abelardo da Hora trabalham em projetos distintos para marcar os 50 anos. Germano escreveu um livro sobre o movimento, que deve ser publicado este ano. Abelardo da Hora vai fazer uma escultura que recorda o momento em que o movimento foi criado. Ambas são iniciativas para que o MCP não seja esquecido. “Tenho tanto orgulho que, no livro que estou publicando agora, um capítulo é: MCP – uma vida depois da morte”, disse Germano." 
Texto pesquisado pela aluna Josenilda Gomes.

Biografia de Paulo Freire

INFÂNCIA


"O quintal da casa, na Estrada do Encanamento, 724, no bairro Casa Amarela, no Recife (PE), foi o espaço de alfabetização de Paulo Freire. Ali, aprendeu a ler e também a escrever, utilizando os gravetos que encontrava pelo chão. Criou-se em um ambiente católico, junto com os irmãos e as irmãs, cercado de muito afeto e atenção dos pais, a ponto de só adormecer embalado pelo som do violão tocado pelo “seu papá”, como o chamava. À sombra das mangueiras, sua mãe o ensinou a ler as palavras que o permitiriam ler o mundo à sua volta.


Talvez um prenúncio daquele que seria o mais revolucionário método de alfabetização proposto no século XX, criado por Paulo Freire na década de 1960, que tinha a realidade do aluno como ponto de partida para a aprendizagem permanente.
Sua mãe escreveu para ele um Livro do Bebê, onde revela fatos, hábitos e casos da sua infância. Ela começa falando do dia do seu nascimento:


"Paulo nasceu numa segunda-feira de tristeza e aflições, pois o seu Papá estava muito mal, sem esperanças de restabelecer-se, quase que o Paulinho seria órphão ao nascer, porém, o bom Jesus livrou-o dessa desaventura, presenteou-o restituindo a saúde ao seu Papá".
(In: Ana Maria Araújo, em "A voz da esposa", Paulo Freire: uma biobibliofrafia, 1995).


A senhora Edeltrudes confessa que ele é orgulhoso e que só falará quando souber mesmo. Fala do quanto ele é afetuoso e ciumento e não consente que seus irmãozinhos aproximem-se da mãe. Fica com raiva e diz logo "sai, sai, mamãe minha". (In: Ana Maria Araújo, em "A voz da esposa", Paulo Freire: uma biobibliofrafia, 1995).
Paulo Freire foi uma criança muito devota. Assim diz a mãe: "com verdadeiro carinho pega no crucifixo". “Ele não se conformava em ir à aula sem as lições prontas, chorava demais. Enquanto não tinha certeza que sabia, não comparecia à aula", acrescentou ela. (Livro do Bebê in Ana Maria Araújo Freire no livro Paulo Freire: uma biobibliografia, em “A voz da esposa”).
Aos 6 anos, já alfabetizado, ele entra para a escola particular da sua primeira professora, Eunice Vasconcelos, a quem se refere sempre como “professorinha”, uma presença muito forte em sua formação. Ela o ensinou a colocar no papel quantas palavras pudesse, para depois formar sentenças e discutir com ele o significado de cada uma delas:

“Fui criando naturalmente uma intimidade e um gosto com as ocorrências da língua – os verbos, seus modos, seus tempos... 
A professorinha só intervinha quando eu me via em dificuldade, mas nunca teve a preocupação de me fazer decorar regras gramaticais.”
(Paulo Freire, publicado pela Revista Nova Escola, 
em dezembro de 1994.)

Dessa convivência, nasceu uma grande amizade que se prolongou por muitos anos, inclusive durante o exílio, quando os dois trocaram correspondências:

“Eunice foi professora do Estado, se aposentou, levou uma vida bem normal. Depois morreu, em 1977, eu ainda no exílio. Hoje, a presença dela são saudades, são lembranças vivas. Me faz até lembrar daquela música antiga, do Ataulfo Alves: 'Ai, que saudade da professorinha, que me ensinou o bê-á-bá'." 
(Paulo Freire, publicado pela Revista Nova Escola, 
em dezembro de 1994.)

“Andar de bicicleta sempre será um sonho não realizado.”
(Ana Maria Araújo Freire no livro Paulo Freire: uma biobibliografia
em “A voz da esposa”.)

JUVENTUDE E UNIVERSIDADE 
A crise econômica de 1929 produziu reflexos muito acentuados no Nordeste. Em busca de melhores condições de vida, seu pai levou a família para a cidadezinha de Jaboatão dos Guararapes, a 18 km do Recife. Paulo Freire tinha 10 anos de idade. Ali conheceu a dor, com a morte do pai, aos 13 anos, e o sofrimento ao assistir a mãe ter que sustentar sozinha toda a família, convivendo com privações materiais e muitas dificuldades financeiras. 

“Eu acho que uma das coisas melhores que eu tenho feito na minha vida, melhor do que os livros que eu escrevi, foi não deixar morrer o menino que eu não pude ser e o menino que eu fui, em mim.”
(Moacir Gadotti, Convite à Leitura de Paulo Freire da Série Pensamento e Ação no Magistério, Mestres da Educação.)

Nos campos de futebol de Jaboatão, ele mantinha contato com a camada mais pobre da cidade, jogando peladas com meninos camponeses e filhos de operários que moravam em morros e brincavam em córregos. Com eles, Paulo Freire descobriu uma forma diferente de pensar e de se expressar – era a linguagem popular, à qual ele sempre privilegiou usando-a mais tarde como educador.


“Eu consegui fazer, Deus sabe como, o primeiro ano de ginásio com 16 anos. Idade com que os meus colegas de geração, cujos pais tinham dinheiro, já estavam entrando na faculdade. Fiz esse primeiro ano de ginásio num desses colégios privados, em Recife; em Jaboatão só havia escola primária. Mas minha mãe não tinha condições de continuar pagando a mensalidade e, então, foi uma verdadeira maratona para conseguir um colégio que me recebesse com uma bolsa de estudos. Finalmente ela encontrou o Colégio Osvaldo Cruz e o dono desse colégio, Aluízio Araújo, que fora antes seminarista, casado com uma senhora extraordinária, a quem eu quero um imenso bem, resolveu atender o pedido de minha mãe.”
(In: Revista Ensaio, nº 14, 1985, p. 5.)


Foi assim que Paulo Freire conseguiu concluir seus estudos secundários. Aos 22 anos, Paulo Freire ingressa na Faculdade de Direito do Recife. Naquela época, o curso de direito era a única alternativa na área de ciências humanas. Nesse período, conheceu a professora primária Elza Maia Costa Oliveira, alfabetizadora, cinco anos mais velha do que ele, com quem se casou em 1944, e teve 5 filhos – Maria Madalena, Maria Cristina, Maria de Fátima, Joaquim e Lutgardes.
Ainda nessa época, o mesmo Colégio Oswaldo Cruz que o acolheu como bolsista na adolescência, contratou-o como professor de língua portuguesa.


“Em algum momento, entre os 15 e os 23 anos, descobri o ensino como paixão.”
(Moacir Gadotti, Convite à Leitura de Paulo Freire da Série Pensamento e Ação no Magistério, 
Mestres da Educação.)

Sua “carreira” de advogado resumiu-se a uma única causa:

“Tratava-se de cobrar uma dívida. Depois de conversar com o devedor, um jovem dentista tímido e amedrontado, deixei-o ir em paz. Ele ficou feliz por eu ser advogado, e eu fiquei feliz por deixar de sê-lo.”
(Moacir Gadotti, Paulo Freire: uma biobibliografia, 1996.)


Em 1947, Paulo Freire assume o cargo de Diretor do Setor de Educação do SESI do Recife - Serviço Social da Indústria, onde travou contato com a questão da educação de adultos/trabalhadores e percebeu a necessidade de executar um trabalho direcionado à alfabetização. Estudando as relações entre alunos, mestres e pais de alunos do SESI, Paulo Freire conheceu a realidade dos trabalhadores e as particularidades da sua linguagem. Entendeu que educar era, sobretudo, discutir as condições materiais de vida do trabalhador comum. Dedicou-se a estudar a linguagem do povo, consolidando seus trabalhos em educação popular. Sua primeira experiência como professor universitário foi na Escola de Serviço Social, lecionando Filosofia da Educação.


Doutorou-se em Filosofia e História da Educação em 1959, com a tese ”Educação e Atualidade Brasileira”. No início dos anos 60 engajou-se nos movimentos de educação popular, entre eles o Movimento de Cultura Popular (MCP), a campanha “De Pé no Chão Também se Aprende a Ler” e a Campanha de Alfabetização de Angicos (alfabetização de 300 trabalhadores rurais em 45 dias), ambas no Rio Grande do Norte, e coordenou o Programa Nacional de Alfabetização, do Governo Goulart.

O CRIADOR DE IDÉIAS, O EDUCADOR
Durante mais de 15 anos, entre as décadas de 1950 e 1960, Paulo Freire dedicou-se às experiências no campo da educação de adultos em áreas proletárias e subproletárias, urbanas e rurais, em Pernambuco. Seu método de alfabetização nasceu dentro do MCP – Movimento de Cultura Popular do Recife – a partir dos Círculos de Cultura, onde os participantes definiam as temáticas junto com os educadores. Nesses grupos populares, ele identificou resultados tão positivos que passou a se questionar se não seria possível fazer o mesmo em uma experiência de alfabetização.
A educação como prática da liberdade é concebida dentro de um contexto em que o processo de desenvolvimento econômico e o movimento de superação da cultura colonial nas "socidades em trânsito" que se define pela sociedade sem democracia para uma sociedade em processo de democratização, do ponto de vista do oprimido, na construção de uma sociedade democrática. Freire acredita que a educação tem papel imprescindível no processo de conscientização e nos movimentos de massas. Por considerá-la desafiadora e transformadora, mostra que para alcançá-la são imprescindíveis o diálogo crítico, a fala e a convivência.

 

Educador e educando se movimentam no mesmo cenário, mas as diferenças entre eles acontecem “numa relação em que a liberdade do educando não é proibida de exercer-se”. Essa opção não é, apenas, pedagógica, mas sobretudo, política, o que faz do educador um político e um artista, jamais neutro. 
Na sua concepção, a educação é um momento do processo de humanização, um ato político, de conhecimento e de criação. Portanto, educação implica no ato do conhecer entre sujeitos conhecedores, e conscientização é ao mesmo tempo uma possibilidade lógica e um processo histórico ligando teoria com práxis numa unidade indissolúvel.


“A conscientização é um compromisso histórico (...), implica que os homens assumam seu papel de sujeitos que fazem e refazem o mundo. Exige que os homens criem sua existência com um material que a vida lhes oferece (...), está baseada na relação consciência-mundo".
(Paulo Freire, Educação como prática da liberdade, 1966.)

Paulo Freire revelou ao mundo uma educação para além da sala de aula, da educação formal, capaz não só de ensinar conteúdos e comportamentos socialmente esperados e aceitos, mas também capaz de conscientizar a todos e a todas. Mais objetivamente pensou nos jovens e adultos trabalhadores, homens do campo e da cidade para abrir-lhes a possibilidade de enfrentarem a opressão e as injustiças. 

Características conceituais da concepção educacional de Paulo Freire (com base na análise de Carlos Alberto Torres no livro Paulo Freire: Uma Biografia Intelectual).

• “Interpretar o desenvolvimento da consciência humana e seu relacionamento com a realidade, permitindo que o educando a transforme com sua prática.
• A educação não é uma questão pedagógica. Ao contrário, é uma questão política. Pedagogia crítica, como uma práxis cultural, contribui para revelar a ideologia encoberta na consciência das pessoas.
• A pedagogia do oprimido é designada como um instrumento de colaboração pedagógica e política na organização das classes sociais subordinadas;
• A especificidade da sua proposta é a noção de consciência crítica como conhecimento e práxis de classe.
• Em termos educacionais, sua concepção é uma proposta anti-autoritária, na qual professores e alunos ensinam e aprendem juntos. Partindo-se do princípio que educação é um ato de saber, professor-aluno e aluno-professor devem engajar-se num diálogo permanente caracterizado por seu ‘relacionamento horizontal’. Esse é um processo que toma lugar não na sala de aula, mas num círculo cultural.”
Algumas palavras próprias da pedagogia de Paulo Freire:

Amorosidade Para Freire, a “educação é um ato de amor”, sentimento em que homens e mulheres vêem-se como seres inacabados e, portanto, receptivos para aprender. 
Cultura Para Freire, “cultura é tudo o que é criado pelo homem. É o resultado do seu trabalho, do seu esforço criador e recriador (...).” 
Curiosidade A curiosidade alimenta o desejo de saber mais. Ela causa inquietação, insatisfação desencadeando a busca pelo conhecimento. "Não é a curiosidade espontânea que viabiliza a tomada de distância epistemológica. Essa tarefa cabe à curiosidade epistemológica – superando a curiosidade ingênua, ela se faz mais metodicamente rigorosa. Essa rigorosidade metódica é que faz a passagem do conhecimento ao nível do senso comum para o conhecimento científico. Não é o conhecimento científico que é rigoroso. A rigorosidade se acha no método de aproximação do objeto." (FREIRE, P. À sombra desta mangueira. São Paulo: Editora Olho d’Água, 2ª edição, 1995, p. 78.)
Diálogo “O diálogo aproxima os homens entre si e do mundo em que vivem. É capaz de transformá-lo e, transformando-o, o humaniza para a humanização de todos.”
 
Leitura do mundo Ler o mundo é aproximar-se criticamente da realidade. A leitura de mundo possibilita a análise crítica da realidade e a sua compreensão.
Política A educação, na perspectiva da prática da liberdade, é um ato político. Não existe educação neutra. Na concepção de Freire, política é o conjunto de opiniões e/ou simpatias de uma pessoa com relação à sua realidade e sua capacidade de transformá-la.

ANTES DO EXÍLIO
Paulo Freire vive intensamente seu tempo e o ambiente histórico-político entre a Revolução de 30 e o Golpe Militar de 64. É nesse período que nasce e se consolida a essência de sua obra. Suas pedagogias nascem de suas práticas, da totalidade de suas experiências de vida. Surgem do envolvimento com camponeses e trabalhadores, desde a época de peladas nos campos de futebol de Jaboatão dos Guararapes/PE, passando pelo SESI e pelo engajamento nos movimentos populares, ainda na época do Recife, a partir da metade da década de 1950. 
No SESI, como Diretor do Departamento de Educação e Cultura, atuou junto às famílias, com as crianças, as mulheres e também encorajando os trabalhadores a discutir seus problemas, integrando-se efetivamente ao processo histórico, por meio das comunidades. 
Paulo Freire foi um dos fundadores do Movimento de Cultura Popular do Recife (MCP), onde, ao lado de outros intelectuais e do povo, trabalhou para assegurar a inserção crítica e transformadora das classes oprimidas na sociedade brasileira, a partir da cultura popular.

 

No Centro de Cultura Dona Alegarinha, um círculo de cultura do MCP que discutia os problemas cotidianos na comunidade de Poço da Panela, em Recife, Freire trabalha de forma mais sistemática o que viria a ser chamado de método de alfabetização. 

“... era preciso que eu fosse ao contexto de quem ia aprender a ler, para pesquisar o discurso da cotidianidade e de lá retirar o vocabulário a ser utilizado no processo.” (Descrição a Nilcéa Lemos Pelandré, Pelandré, 2002, p. 59.)


Rapidamente seu trabalho começou a se tornar muito conhecido. Surgia ali mais que um método, uma filosofia e um sistema de educação capaz de alfabetizar os cerca de 40 milhões de iletrados do Brasil naquele final da década de 1950.
Dessa forma, suas idéias influenciaram a campanha “De Pé no Chão Também se Aprende a Ler”, desenvolvida pelo então prefeito de Nata-RNl, Djalma Maranhão. 

Ainda no Rio Grande do Norte, desta vez na cidade de Angicos,
Freire realiza sua mais marcante experiência na época, desenvolvida entre janeiro e março de 1963, quando 300 trabalhadores rurais são alfabetizados em 45 dias.Convidado pelo então ministro da educação do Governo João Goulart, Paulo de Tarso,o educador Paulo Freire assumiu o cargo de coordenador do recém-criado Programa Nacional de Alfabetização, o qual, utilizando seu método, pretendia alfabetizar 5 milhões de adultos em mais de 20 mil círculos de cultura.


Campanha de Alfabetização, Reformas de Base e as Ligas Camponesas integraram um cenário onde o nacionalismo influenciou a mobilização popular que antecedeu o golpe militar.Criado em janeiro de 1964, o Plano foi extinto pela Ditadura Militar, logo depois do golpe. Paulo Freire foi preso por duas vezes.
A Embaixada da Bolívia foi a única que o aceitou como refugiado político. Em setembro de 1964, Paulo Freire deixa o Brasil rumo ao exílio.

O EXÍLIO
Em setembro de 1964, com 43 anos, Paulo Freire partiu para a Bolívia levando na bagagem uma trajetória de experiências singulares na alfabetização de adultos, de grande alcance social, que rapidamente conquistaram atenção e respeito por parte de governos, educadores e intelectuais de todo o mundo. 
Freire ficou muito pouco tempo na Bolívia, por causa da altitude de La Paz e também pelo golpe de Estado que derrubou o governo de Paz Estensoro. Seguiu para Santiago, no Chile, onde chegou em novembro de 1964. Viveu neste país até abril de 1969, quando foi convidado para lecionar nos Estados Unidos e também para atuar no Conselho Mundial das Igrejas, em Genebra, Suíça. Aceitou os dois convites, permanecendo inicialmente 10 meses em Harvard, onde deu forma definitiva ao livro Ação Cultural para a Liberdade. Nesse período, escreve dois de seus livros mais conhecidos: Educação Como Prática da Liberdade e Pedagogia do Oprimido.


“Para mim, o exílio foi profundamente pedagógico. Quando, exilado, tomei distância do Brasil, comecei a compreender-me e a compreendê-lo melhor."
(Trecho de uma conversa com Frei Betto, extraída do livro Essa escola chamada vida (pp. 56-8) – in Paulo Freire: uma biobibliogfrafia).

“Foi exatamente ficando longe dele, preocupado com ele, que me perguntei sobre ele. E, ao me perguntar sobre ele, me perguntei sobre o que fizeram com outros brasileiros, milhares de brasileiros da geração jovem e da minha geração. Foi tomando distância do que fiz, ao assumir o contexto provisório, que pude melhor compreender o que fiz e pude melhor me preparar para continuar fazendo algo fora do meu contexto e também me preparar para uma eventual volta ao Brasil.”
(Trecho de uma conversa com Frei Betto, extraída do livro Essa escola chamada vida (pp. 56-8) – in Paulo Freire: uma biobibliogfrafia).


Ainda no exílio, entre 1970-1980, após sua transferência para Genebra, assumiu o cargo de consultor do Conselho Mundial das Igrejas. Como conselheiro educacional do Conselho, Paulo Freire ganhou maior dimensão mundial. Ao lado de outros brasileiros exilados, fundou o Instituto de Ação Cultural (IDAC), cujo objetivo era prestar serviços educativos, especialmente aos países do Terceiro Mundo que lutavam por sua independência. Em 1975, Freire e a equipe do IDAC receberam o convite de Mário Cabral, Ministro da Educação da Guiné-Bissau, para colaborarem no desenvolvimento do programa nacional de alfabetização daquele país. A África deu a Paulo Freire e a seus colaboradores o campo prático para experiências pelas quais eles tinham esperado tanto.
Entre 1975 e 1980, Freire trabalhou também em São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Angola, ajudando os governos e seus povos a construírem suas nações recém-libertadas do jugo português, através de um trabalho de educação popular.

   

Nesse período genebrino, Paulo Freire “andarilhou” muito por alguns países do continente africano, asiático, europeu, americano e da Oceania, exercendo atividades político-educativas em vários países dos 5 continentes, mas de modo especial na Austrália, Itália, Nicarágua, Ilhas Fiji, Índia, Tanzânia e os países de colonização portuguesa supra-citados.

TRECHO DA CARTA DE PAULO FREIRE A CLODOMIR MORAES
(companheiro de prisão de Paulo Freire, em um quartel de Olinda):

Lembrando os ensinamentos da prisão
Clodomir, velho de guerra,
amigo-irmão,
nas minhas conversas comigo mesmo sempre lembrado;
nas minhas conversas com outras gentes,
nas minhas memórias de nossas "férias" passadas
juntos, no R-2, lá em Olinda, lembro sempre.
Amigo-irmão, velho de guerra,
que me ensinou, com paciência, como viver entre paredes;
como falar, com coronéis, jamais dizendo um aliás;
que me ensinou a humildade, não só a mim,
também aos outros que lá estavam, na prisão
grande da bela Olinda, não com palavras que o vento leva,
mas com exemplo - palavração!
que me contou estórias lindas de Pedro Bunda e
seu irmão - "pencas de almas" dependuradas
em fortes troncos, na solidão;
soldados alemães desembarcados no São Francisco.
que me falou, com amor tanto, de seu povo
lá do sertão, de seus poetas, de seus músicos, de seus maestros.
Clodomir, Colodomiro, velho de guerra,
amigo-irmão, sempre lembrado, agora, de longe,
de bem longe, te mando a ti, a Célia e aos que de ambos já chegaram,
uma penca enorme de abraços nossos.

Paulo
Genèvre, 16/01/1975

ATIVIDADES NO EXÍLIO

CHILE (novembro de 1964 a abril de 1969)
- Assessor do Instituto de Desarollo Agropecuário e do Ministério da Educação do Chile.
- Consultor da Unesco junto ao Instituto de Capacitación e Investigación em reforma Agrária do Chile. Neste país escreve Pedagogia do Oprimido que é resultado dos seus cinco primeiros anos de exílio e expressa suas vivências com a educação popular, de conscientização, libertação e justiça social.

ESTADOS UNIDOS (abril de 1969 a fevereiro de 1970)
- Professor convidado da Universidade de Harvard, em Cambridge, Massachussetts, onde dava aulas sobre suas próprias reflexões.

GENEBRA (fevereiro de 1970 a março 1980)
- Consultor do Conselho Mundial das Igrejas - conselheiro educacional de governos do Terceiro Mundo;
- Presidente do Conselho Executivo do IDAC.
Neste período Paulo Freire “andarilhou” pelos continentes africano, asiático e europeu.

REAPRENDENDO O BRASIL
“Dezesseis anos de ausência exigem uma aprendizagem e uma maior intimidade com o Brasil de hoje. Vim para reaprender o Brasil.” 
(Paulo Freire, ainda no aeroporto, quando do seu retorno ao Brasil. In Paulo Freire: uma biobibliogfrafia.)

 

O retorno de Paulo Freire ao Brasil foi um momento histórico para a educação no Brasil. Depois de várias tentativas de conseguir o seu passaporte nas representações consulares brasileiras, em países diferentes, Paulo Freire finalmente obtém o documento, graças a um mandado de segurança. Em junho de 1980, aos 57 anos, Paulo Freire desembarca no aeroporto de Viracopos em Campinas, regressando definitivamente ao país que havia deixado em 64, sob o comando dos militares. Sua vontade era reassumir as funções na Universidade de Pernambuco, mas as restrições ainda vigentes o impediram. Fixou residência em São Paulo. Aceitou o convite para lecionar na Faculdade de Educação da Unicamp, em Campinas e logo depois ingressou no Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação (supervisão e currículo) da PUC/SP.]

Paulo Freire participa da fundação do Vereda – Centro de Estudos em Educação, também em São Paulo, cujo objetivo era desenvolver pesquisas, prestar assessoria e atuar na formação de professores dedicados à prática da educação popular. Ele envolve-se, dessa forma, nos movimentos de professores, movimentos de educação popular e na luta da classe trabalhadora com educadores jovens, valorizando-os e desenvolvendo trabalhos de aprendizado em conjunto. 
Viveu momentos de grande conhecimento e produtividade neste seu reaprendizado do Brasil.
Nesse tempo, abordou assuntos variados:
  • sua posição socialista, sua religiosidade.
  • o grande poder de manipulação e domesticação da TV ao reproduzir sonhos alienadores e inacessíveis à classe dominada.
  • a constatação de que a TV está intimamente ligada ao autoritarismo.
  • o estímulo aos alunos a não aceitação do currículo imposto, tomando nas mãos sua própria educação.
“A transformação da educação não pode antecipar-se à transformação da sociedade, mas esta transformação necessita da educação”.
(Debate com professores mineiros, em 1981, in Moacir Gadotti, Convite à Leitura de Paulo Freire, da Série Pensamento e Ação no Magistério, Mestres da Educação).
No dia 24 de outubro de 1986, Paulo Freire perde sua primeira esposa, Elza Maia Costa Freire, com quem ficou casado durante 40 anos, tristeza irreparável, desolação, um enorme vazio invade sua vida. Mas o reencontro com uma amiga de infância, agora como aluna-orientanda no curso de mestrado da PUC, preenche novamente sua existência e alegra seu viver. No dia 27 de março de 1988, ele casa-se com Ana Maria Araújo Freire. Com a chegada ao poder do Partido dos Trabalhadores, que ajudou a fundar, Paulo Freire assume o cargo de Secretário de Educação da cidade de São Paulo, em janeiro de 1989, na gestão da então prefeita Luiza Erundina. Como Secretário de Educação, Paulo Freire atuou de maneira integral, reformando escolas, estruturando os colegiados, reformulando o currículo escolar, capacitando os professores e formando o pessoal administrativo e técnico. Ele mesmo diz que as mudanças estruturais mais importantes introduzidas na escola incidiram sobre a autonomia da escola, com o restabelecimento dos conselhos de escolares e dos grêmios estudantis. (Moacir Gadotti, Convite à Leitura de Paulo Freire da Série Pensamento e Ação no Magistério, Mestres da Educação.)

“O avanço maior ao nível da autonomia da escola foi o de permitir no seio da escola a gestação de projetos pedagógicos próprios que com apoio da administração pudessem acelerar a mudança da escola.”
(A Educação na Cidade, pp. 79-80, 1991.)


Em parceria com os movimentos populares, Paulo Freire criou o MOVA-SP (Movimento de Alfabetização da Cidade de São Paulo), destinado a jovens e adultos. Era a fórmula para fortalecer os movimentos sociais populares e estabelecer novas alianças entre sociedade civil e Estado. No dia 22 de maio de 1991, Freire se afasta do cargo de Secretário, mas continua ativo como colaborador. Como disse a então prefeita Luiza Erundina, Paulo Freire estava sendo “devolvido ao mundo”. Passou a se dedicar novamente a escrever artigos e livros, alguns em colaboração com outros educadores (livros falados, como os chamava), voltou à docência na PUC/SP.
 

A partir de 1987, tornou-se um dos membros do Júri Internacional da UNESCO. Freire escreveu com os principais educadores da década de 1980, concebendo uma produção rica e essencial para a questão da educação popular, progressista, libertadora e transformadora.
O coração de imensa fraternidade, amor e paixão por todas as gentes e pelas causas do planeta solidário, cessou de movimentar no dia 2 de maio de 1997. Um infarto silenciou Paulo Freire aos 75 anos de idade, mas não encerrou sua obra.

 

Ele deixou um legado de imensa contribuição para a educação, com reflexos em áreas como a filosofia, a arte, a física, a matemática, a geografia, a história, a literatura, entre outras.
Será para sempre um mestre, um expressivo homem de todos os tempos.

CRONOLOGIA
1921
Paulo Freire nasce em Recife, no dia 19 de setembro.

1927
Entra, já alfabetizado, para a escolinha particular da professora Eunice Vasconcelos.

1931
Mudança para Jaboatão dos Guararapes/PE.

1934
Morte do pai quando Paulo tinha 13 anos. 

1937 a 1942
Cursa o Ensino Secundário no Colégio Osvaldo Cruz, do Recife, onde teve seu primeiro emprego, tornando-se, em 1942, professor de língua portuguesa do mesmo. 

1943
Ingressa na Faculdade de Direito do Recife.

1947
Forma-se Bacharel em Direito.

1944 
Casa-se com Elza Maia Costa de Oliveira.

1947
Assume a Diretoria da Divisão de Educação e Cultura, do Sesi-Pernambuco.

1952
Nomeado Professor Catedrático da Faculdade de Belas Artes, da Universidade do Recife.

1954
Foi nomeado Diretor Superintendente do Departamento Regional de Pernambuco do SESI-PE, cargo que ocupou até outubro de 1956.

1960
Defende tese e obtém o título de Doutor em Filosofia e História da Educação.

1961
Foi-lhe conferido o título de Livre Docente da Faculdade de Belas Artes. Tendo perdido o cargo de docente desta Escola, foi nomeado Professor Assistente de Ensino Superior, de Filosofia, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, da Universidade do Recife.

1962
Cria e foi o primeiro Diretor do Serviço de Extensão Cultural, da Universidade do Recife.

1963
Realiza a Experiência de Alfabetização de Angicos/RN. Cria as bases do Programa Nacional de Alfabetização, do Governo João Goulart.

1964 
Golpe Militar extingue o Programa Nacional de Alfabetização.
Prisão no Recife.
Asilo na Embaixada da Bolívia, no Rio de Janeiro.
Em setembro parte para a Bolívia.
Em novembro segue para o Chile.

1965
Publica o livro Educação Como Prática da Liberdade.

1967 a 1968
Escreve no Chile o livro Pedagogia do Oprimido.

1969
Muda-se para Cambridge, Massachussetts, USA.

1970
Transfere-se para Genebra, Suíça, para trabalhar no Conselho Mundial das Igrejas, passa a “andarilhar” pelos cinco continentes.

1971
Funda, com outros exilados, o Instituto de Ação Cultural (IDAC), em Genebra. dedica-se de modo especial ao trabalho de educação em alguns países africanos.

1979
Obtém seu primeiro passaporte e visita São Paulo, Rio de Janeiro e Recife.

1980
Retorna ao Brasil, para lecionar na PUC/SP e na Unicamp.

1981
Participa da fundação do Vereda - Centro de Estudos em Educação, em São Paulo.

1982
Publica A importância do ato de ler em três artigos que se completam, livro que mereceu, em julho de 1990, o “Diploma de Mérito Internacional”, concedido pela “International Reading Assocition”, na Suécia.
Deste ano até 1992, escreve os “livros falados”, isto é, livros nos quais, estimulado por outros educadores, narrava a sua vida e explicitava as suas reflexões.

1986
Recebe o Prêmio UNESCO da Educação para a Paz.
No dia 24 de outubro morre sua primeira esposa, Elza Maia Costa de Oliveira. 

1987
Passa a integrar o júri internacional da UNESCO, que escolhe e premia as melhores experiências de alfabetização do mundo.

1988
No dia 27 de março, casa-se em cerimônia religiosa, no Recife, com Ana Maria Araújo Hasche e, em 19 de agosto, em cerimônia civil, quando ela passa a assinar Freire.

1989
Assume o cargo de Secretário de Educação da cidade de São Paulo.

1991
Afasta-se da SMEd-SP para escrever livros. Retorna a lecionar na PUC/SP. Demite-se da UNICAMP.

1988 a 1997
Volta depois de 10 anos a escrever livros autorais: Pedagogia da Esperança. Cartas a Cristina: reflexões sobre a minha vida e minha práxis. Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar. Política e educação. À sombra desta mangueira e Pedagogia da Autonomia, além de outros com diversos educadores. e inúmeros artigos e conferências. 

1997
Faleceu no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, no dia 02 de maio, vítima de um infarto agudo do miocárdio. Deixou 5 filhos e viúva.

Paulo Freire participou durante a sua vida de fóruns e debates. Realizou milhares de palestras e conferências. Deu pareceres sobre os mais diversos assuntos. Concedeu entrevistas para jornais, revistas e televisão. Envolveu-se nos movimentos sociais progressistas, entre muitas outras atividades como militante e como intelectual. Recebeu prêmios, títulos e homenagens em todo o mundo, entre estas 39 títulos de Doutor Honoris Causa, dos quais 5 entregues à sua viúva.
A partir de 2000, a sua viúva Ana Maria Araújo Freire, na qualidade de sucessora legal da obra de Paulo Freire, organizou seus textos inéditos, nomeou-os e publicou na “Série Paulo Freire”, da qual é diretora: Pedagogia da Indignação, Pedagogia dos Sonhos Possíveis e Pedagogia da Tolerância." Texto retirado do site http://pedagogiacederj-spa.blogspot.com/2010/05/biografia-de-paulo-freire.html - 16/12/2010 - às 15h40min.

O MCP foi criado por um grupo de intelectuais e artistas pernambucanos



"O MCP foi criado por um grupo de intelectuais e artistas pernambucanos, na primeira gestão de Miguel Arraes como prefeito de Recife. Assumiu inovadoramente o conceito de cultura popular como chave para o trabalho com a população pobre, por meio de escolas para crianças, alfabetização de adultos, praças e núcleos de cultura. Revitalizou as festas folclóricas e teve expressiva atuação no teatro e cinema. Seu Livro de Leitura para Adultos renovou radicalmente o material didático da época. Sediou a primeira experiência do Sistema Paulo Freire, no Centro Dona Olegarinha, em 1962, e o I Encontro Nacional de Alfabetização e Cultura Popular, promovido pelo MEC, em 1963." Texto pesquisado pelas alunas Mônica Batista e Roseli Cavalcante.


O Povo no Movimento de Cultura Popular de Recife

Reflexões de como a cultura popular foi percebida e retratada no Livro de Leitura utilizado na alfabetização de adultos do Movimento de Cultura Popular de Pernambuco.

O Livro de Leitura ou Cartilha do MCP serviu como instrumento de apoio no Projeto de Educação pelo Rádio que ocorreu na década de sessenta do século passado. Estas reflexões partem da percepção que as educadoras Norma Porto e Josina Godoy (organizadoras do Livro e integrantes do MCP) tinham sobre os contextos populares ao construírem a idéia de povo contida no Livro de Leitura.

Palavras-chave: Povo; Educação; Cultura. Existe uma facilidade de encontrarmos em muitos âmbitos sociais, políticos,educacionais e culturais referências ao “povo”. Hoje principalmente com algumas políticas de “resgates culturais” usar o termo “povo” pode conduzir grupos a muitos caminhos de “autorização” para falar para ele, através dele e em nome dele. Este não é um fenômeno novo, Bourdieu (1990, p. 181) nos fala que nos vários campos (religiosos, políticos, educacionais, artísticos, etc) os intelectuais sempre estão ou se sentem autorizado a falar do “povo” ou para o “povo” (no duplo sentido: para o “povo” e no lugar do “povo”)”.

Restringiremos nossas reflexões aqui ao campo educacional. Quando o povo vai surgir como categoria que precisa ser educada, e vários grupos e instituições vão se lançar no espaço público para “educar este povo”.
Assim na década de sessenta ocorre em Recife o Movimento de Cultura Popular - MCP,onde governo, intelectuais, artistas se organizam em prol da educação e cultura da população infantil e adulta.” Texto pesquisado pela aluna Natália Karoline