quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Trajetória do MCP

"Apesar de enfrentar pressões e críticas de oposicionistas do governo de Miguel Arraes, o MCP teve um grande desenvolvimento. No final de 1962, já contava com quase 20.000 alunos divididos em mais de seiscentas turmas,distribuídos entre duzentas escolas isoladas e grupos escolares; uma rede de escolas radiofônicas; o centro de artes plásticas e artesanato, com cursos de cerâmica, tapeçaria, tecelagem, cestaria, gravura e escultura; mais de 450 professores e 174 monitores de ensino fundamental, supletivo e educação artística; uma escola para motoristas-mecânicos; cinco praças de cultura, com bibliotecas, cinema, teatro, música, tele-clube,orientação pedagógica, recreação e educação física; o Centro de Cultura Dona Olegarina, no Poço da Panela, que, em parceria com a Paróquia de Casa Forte, oferecia cursos de corte e costura,alfabetização e educação de base; círculos de cultura; uma galeria de arte (a Galeria de Arte do Recife); um conjunto teatral, que já havia encenado,entre outras, diversas peças, como A derradeira ceia, de Luiza Marinho e A volta do Camaleão Alface, de Maria Clara Machado.

Participam do MCP intelectuais e artista conhecidos como Francisco Brennand, Adriano Suassuna, Hermílio Borba filho, Abelardo da Hora, José Cláudio, Aloísio Falcão e Luiz Mendonça. O Movimento também contou com o apoio de instituições políticas de esquerda como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e o Partido Comunista Brasileiro (PCB), entre outras.

Por causa do clima político existente na época, o MCP alcançou repercussão nacional, servido de modelo para movimento semelhantes criados em outros estados do Brasil.

O Movimento de Cultura Popular do Recife foi extinto com o golpe militar, em março de 1964. Dois tanques de guerra foram estacionados no gramado da sua sede, no Sítio da Trindade. Toda a documentação do movimento foi queimada, obras de artes destruídas e os profissionais envolvidos foram perseguidos e afastados dos seus cargos."



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